2º dia – o primeiro jogo – 10 de Junho dia de Portugal
O conforto dos quartos permitiu aos nossos representantes uma boa noite de descanso (a uns mais que outros), tendo todos cumprido o passeio matinal de descompressão previsto das 10 da matina. A busca do trono dourado parecia impossível, Gimenez Lopez o internacional português com o nome mais estrangeiro de todos, partiu inclusivamente numa cruzada infindável pela cidade fora em busca do trono encantado.
À partida o jogo parecia ganho, no papel o favoritismo da EUL era inquestionável, no entanto em jogos destes há sempre surpresas. Cumprindo as ordens de Mister grande, houve quem almoçasse e quem não almoçasse, e mais ou menos todos entraram no barco rumo a Greenwich com a vitória em mente. No aquecimento, o dream team português lançou acordes a toda a velocidade, encantando até a vendedora dos bilhetes. A bordo do barco mais veloz de Londres, a EUL foi encantando todos os passageiros, muitos dos quais recusaram abandonar o barco mesmo quando já tinham chegado ao seu destino. A custo, a EUL desembarcou, e entrou em campo na faculdade de Greenwich utilizando a táctica do morcego (nota: táctica do morcego, famosa táctica lançada por Herr Caçadas no mundial de 92, onde os valentes jogadores simulavam ter asas, utilizando as suas capas negras para assustar os adversários). Ao fim de uma longa caminhada pelo campo verdejante, deixando o público ao rubro, os tunos chegaram ao tão afamado meridiano, para descobrir que o jogo tinha sido cancelado, os portugueses venceram por falta de comparência do adversário e do público. Aparentemente o dia de Portugal (10 de Junho para uns), é celebrado em Londres no dia 13 (data em que Portugal acenou à rainha, concordando com o acordo do caminho cor de rosa). Assim, a primeira vitória no Mundial estava garantida, o meridiano já cá canta!
Para celebrar, a dantina juntou-se no pub da esquina (o bar mais próximo) para a primeira prova de cerveja oficial. O momento alto da tarde deu-se aquando da chegada dos últimos reforços da comitiva portuguesa provenientes da Inglaterra do Allgarve. Com Pipas e a sua sanfona, Rei Artur sem a sua excalibur, a comitiva portuguesa estava finalmente completa, estava na hora de brindar, e começar a mostrar todo um repertório de música do mundo português.
Chegava finalmente a hora de jantar, perto das 23h, e já com praticamente tudo o que servia refeições fechado, foi fácil escolher um restaurante para o tão esperado repasto. A fome era negra e o menu não dava espaço a dúvidas, estava na hora de comer um hambúrguer ou uma fajita, regado com cerveja ou vinho.
À mesa, a equipa técnica reunia e delineava o plano de ataque para os dias seguintes, enquanto que a plebe tocava e animava o restaurante (tanto o porteiro como o casal que estava na mesa ao lado, não tiraram os olhos dos cangalheiros de Lisboa). Por volta das 2 da matina, o restaurante queria fechar, mas os tugas não arredavam pé. Felizmente, e ao contrário do que se passa na outra selecção nacional, à saída do restaurante todos seguiram as indicações do Mister, nem as estrelas mais cintilantes ousaram opinar ou apresentar destinos alternativos ao west end, ou east end…ou lá o que era.
Foi nesta fase que o grupo se dividiu em 2, de um lado os tunos mais utilizados (Mr.Saints, Mr.Medic in the army, Mr. Lawyer from Viseu, Mr. Engineer like the Prime minister, entre outros), e os menos utilizados, tendo os primeiros recolhido ao conforto do hotel conduzidos por um motorista do sri Lanka, e o segundo grupo rumado à zona “bem” de Londres. Plantados na zona bem, a táctica utilizada foi a de Carlos Queiroz (nota: táctica Carlos Queiroz – jogar na espectativa, defender bem e atacar pela certa, nem sempre recorrendo às melhores opções do plantel). Com Caneira a fazer de Cristiano Ronaldo (olhos postos na baliza), foi à porta das discos que os tugas fizeram maior sucesso, foi lá que começaram a tocar para encantar, utilizando como arma secreta a sabedoria que o naipe já vem incutindo no grupo há muito tempo: A serenata à camone! (para este público nem o “black adder” surpreendeu)
A Serenata foi sem dúvida quem quebrou a muralha defensiva, despertando a curiosidade do público, e o sorriso rasgado dos tunos. À medida que se aglutinavam curiosos para ouvir os “padres de preto”, choviam discos pedidos, até que chegou a hora da “dança do sapatinho”, onde até autógrafos foram assinados. Os bravos guerreiros trouxeram o troféu para casa e recolheram hotel com o sentido de missão cumprida!
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