quinta-feira, 1 de julho de 2010

Naipe no Mundial de Londres – dia 2

2º dia – o primeiro jogo – 10 de Junho dia de Portugal

O conforto dos quartos permitiu aos nossos representantes uma boa noite de descanso (a uns mais que outros), tendo todos cumprido o passeio matinal de descompressão previsto das 10 da matina. A busca do trono dourado parecia impossível, Gimenez Lopez o internacional português com o nome mais estrangeiro de todos, partiu inclusivamente numa cruzada infindável pela cidade fora em busca do trono encantado.

À partida o jogo parecia ganho, no papel o favoritismo da EUL era inquestionável, no entanto em jogos destes há sempre surpresas. Cumprindo as ordens de Mister grande, houve quem almoçasse e quem não almoçasse, e mais ou menos todos entraram no barco rumo a Greenwich com a vitória em mente. No aquecimento, o dream team português lançou acordes a toda a velocidade, encantando até a vendedora dos bilhetes. A bordo do barco mais veloz de Londres, a EUL foi encantando todos os passageiros, muitos dos quais recusaram abandonar o barco mesmo quando já tinham chegado ao seu destino. A custo, a EUL desembarcou, e entrou em campo na faculdade de Greenwich utilizando a táctica do morcego (nota: táctica do morcego, famosa táctica lançada por Herr Caçadas no mundial de 92, onde os valentes jogadores simulavam ter asas, utilizando as suas capas negras para assustar os adversários). Ao fim de uma longa caminhada pelo campo verdejante, deixando o público ao rubro, os tunos chegaram ao tão afamado meridiano, para descobrir que o jogo tinha sido cancelado, os portugueses venceram por falta de comparência do adversário e do público. Aparentemente o dia de Portugal (10 de Junho para uns), é celebrado em Londres no dia 13 (data em que Portugal acenou à rainha, concordando com o acordo do caminho cor de rosa). Assim, a primeira vitória no Mundial estava garantida, o meridiano já cá canta!

Para celebrar, a dantina juntou-se no pub da esquina (o bar mais próximo) para a primeira prova de cerveja oficial. O momento alto da tarde deu-se aquando da chegada dos últimos reforços da comitiva portuguesa provenientes da Inglaterra do Allgarve. Com Pipas e a sua sanfona, Rei Artur sem a sua excalibur, a comitiva portuguesa estava finalmente completa, estava na hora de brindar, e começar a mostrar todo um repertório de música do mundo português.

Chegava finalmente a hora de jantar, perto das 23h, e já com praticamente tudo o que servia refeições fechado, foi fácil escolher um restaurante para o tão esperado repasto. A fome era negra e o menu não dava espaço a dúvidas, estava na hora de comer um hambúrguer ou uma fajita, regado com cerveja ou vinho.

À mesa, a equipa técnica reunia e delineava o plano de ataque para os dias seguintes, enquanto que a plebe tocava e animava o restaurante (tanto o porteiro como o casal que estava na mesa ao lado, não tiraram os olhos dos cangalheiros de Lisboa). Por volta das 2 da matina, o restaurante queria fechar, mas os tugas não arredavam pé. Felizmente, e ao contrário do que se passa na outra selecção nacional, à saída do restaurante todos seguiram as indicações do Mister, nem as estrelas mais cintilantes ousaram opinar ou apresentar destinos alternativos ao west end, ou east end…ou lá o que era.

Foi nesta fase que o grupo se dividiu em 2, de um lado os tunos mais utilizados (Mr.Saints, Mr.Medic in the army, Mr. Lawyer from Viseu, Mr. Engineer like the Prime minister, entre outros), e os menos utilizados, tendo os primeiros recolhido ao conforto do hotel conduzidos por um motorista do sri Lanka, e o segundo grupo rumado à zona “bem” de Londres. Plantados na zona bem, a táctica utilizada foi a de Carlos Queiroz (nota: táctica Carlos Queiroz – jogar na espectativa, defender bem e atacar pela certa, nem sempre recorrendo às melhores opções do plantel). Com Caneira a fazer de Cristiano Ronaldo (olhos postos na baliza), foi à porta das discos que os tugas fizeram maior sucesso, foi lá que começaram a tocar para encantar, utilizando como arma secreta a sabedoria que o naipe já vem incutindo no grupo há muito tempo: A serenata à camone! (para este público nem o “black adder” surpreendeu)

A Serenata foi sem dúvida quem quebrou a muralha defensiva, despertando a curiosidade do público, e o sorriso rasgado dos tunos. À medida que se aglutinavam curiosos para ouvir os “padres de preto”, choviam discos pedidos, até que chegou a hora da “dança do sapatinho”, onde até autógrafos foram assinados. Os bravos guerreiros trouxeram o troféu para casa e recolheram hotel com o sentido de missão cumprida!

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Naipe no Mundial de Londres – dia 1

Faltavam poucos dias para o Mundial, e todos os jogadores aguardavam pacientemente a lista final dos convocados. Todos sabiam que o mister Grande só poderia levar 25 Magníficos para Londres, e haviam 30 pré-convocados.  No dia da partida tudo seria definido.

Na véspera da partida surge o primeiro comunicado oficial da equipa médica da comitiva:
“por motivos de lesão psicológica (excesso de bifes), Sir Alex, fica de fora da convocatória; “RantanPlan” não poderá viajar pois o avião não é à prova de roncos, logo fica fora da convocatória, “Raí” não recuperou da lesão laboral, e ficará em Lisboa a trabalhar; “Confessor” não recuperou a tempo da sua fractura exposta do 5º meta tarso do perónio direito, e para além disso vai ser pai outra vez; “Línguas” não vai porque não quer.”

Assim, às 8 em ponto (dependendo do ponto de vista) de dia 9, um a um lá foram chegando os jogadores, trajados a rigor (uns mais a rigor que outros), exibindo orgulhosamente capas ora pretas ora azuis, ora num “degrade” em tons de castanho verde e preto.  Devido à possível greve dos transportes muitos foram os que chegaram “à pele” arriscando ficar em terra.
Prestes a embarcar, mais uma baixa de vulto… o comissário de terra Craveiro, foi forçado a ficar em Lisboa, mesmo após ter tratado de checkinar toda a comitiva e certificar que ninguém ficaria para trás.

Já dentro do avião, a comitiva digeria as baixas de última hora, e ultimava planos de ataque à cidade de Londres.

Sãos e salvos em terra, cheios de fome, Mister Zé grande tomou o pulso à coisa informando que a comida mais barata se encontrava à espera da comitiva já na estação de comboio. O mal nem era das batatas, mas …o molho..hmmmm…
BD (outro dos convocados), o jogador luso em terras de sua majestade, juntou-se à comitiva tratou de dar as devidas indicações e encaminhar os navegantes rumo ao Hotel.
Em romaria, com bagagem ou sem ela, a comitiva deu-se a conhecer a Londres, primeiro de Bus, depois de Comboio e finalmente de metro (durante a rush hour), sempre a ver passar bares, pubs, padarias, kebabs, mcdonnalds e afins… vista ideal para quem tem mais olhos que barriga.
Ninguém ficou indiferente à passagem da comitiva Estudantina, sendo o comentário mais frequente :”oh, goodie, black Adder is going on tv again”.

À chegada ao Hotel, o deslumbre foi total, recepcionista de Chaves, salão de jogos aberto 24 horas, bar/restaurante com comidas tradicionais londrinas como a picanha, a banana frita e o churrasco, situado numa zona calma e silenciosa com serviços de luxo dignos de reis da Mongólia. Segundo a força tranquila do norte este Pardieiro, perdão, hotel ficava no “nível -5 estrelas. Do trono tem-se uma vista linda…”

Libertos da bagagens a comitiva optou por seguir as indicações do mister grande e rumou a picadily, seguindo primeiro as indicações do mister Hunter fazendo um reconhecimento geral às redondezas do hotel, mesmo antes de seguir as indicações do mister traffic lights para comer qualquer bucha ali mesmo.  Felizmente o mister tomou as rédeas da acção.
Já em Picadilly, depois de uma volta de reconhecimento, os jogadores cansados de toda a viagem, sentaram-se na primeira esplanada que lhes pareceu porreira. Começaram-se a ouvir os primeiros tímidos acordes… Ao fim da primeira cerveja a timidez passou, e Picadilly rendeu-se aos jogares portugueses. O público juntava-se aos magotes, curiosos de todo o mundo questionavam-se em que teatro iria estrear a nova peça de Rowan Atkinson “black adder and flash gordon”.
Aos poucos a comitiva portuguesa ia engrossando com reforços vindos de todos os cantos do mundo, 3 caloiros foram os primeiros a chegar, seguidos de Sassi directamente da Noruega e Freud, munido do seu saco de batatas, o último do dia, trazido por um camião das obras qualquer.

Seguiu-se a ronda pelos Pubs locais, tarefa árdua mas a que o protocolo obriga. Começaram pelo Zoo e acabaram em  waterloo where big brother is watching you. Cansados de tanta obrigação social, os tugas voltaram ao hotel bafejados pelo sindroma de Estocolmo.  1º dia: Missão cumprida, Londres estava aos pés dos Portugueses.